A menina sempre teve a sensação de ouvir vozes dentro dela. Não se sentia louca, mas tinha uns surtinhos de vez em quando já que se sentia um peixe fora d'água em alguns momentos. Graças a Deus havia nascido com uma grande habilidade de adaptação. Parecia uma camaleoa: adaptava-se muito facilmente a novos ambientes, países, casas novas, pessoas diferentes (era frequentemente chamada de "eclética" e "cabeça aberta"). Esta naturalidade com que via e vivia a vida era maravilhosa em vários aspectos, mas sofria fortemente com algo que nenhum ser é capaz de escapar: a rotina. O trabalho. As pessoas não conseguem escapar, mas parecem viver bem com isso. Ela não. Ela sentia certo tormento, até certa frustração. O ir e vir todo dia do mesmo endereço, manusear os mesmos instrumentos, fazer as mesmas coisas e até ter que falar as mesmas falas (urgh!!) era algo que esmagava sua alma. Sim, a alma pra ela nada era de etérea. Era tão física quanto o corpo. Este dia-a-dia parecido com todos a fazia sentir seu cérebro se enrugar dentro dela, como uma uva quando ressecada ou dedos que vão gelando dentro da piscina fria por horas a fio. Resignou-se ao fato de "não tem jeito, a vida é assim, tenho que fazer parte deste mundinho terreno, mas preciso extravazar de alguma forma" e recordou-se da enorme satisfação que sentia quando passava horas no seu quarto escrevendo suas estórias em seus diários. Animada, voltou a escrever. Ou melhor, começou a digitar. Como estamos na era da tecnologia, percebeu que produziria mais se se rendesse ao tecladinho que encontrava todo dia no trabalho. Passou a ver as teclinhas com mais carinho e cada uma delas passou a representar uma alegria ao apertá-las suavemente e vê-las contar suas ideias, devaneios, fatos reais e idealismos. A ação de escrever a ajudou em vários aspectos: a fuga da rotina, o alívio imediato que sentia em suas dores de cabeça ao deixar as palavras rolarem soltas pelas teclas, recebeu comentários de amigos que há tempos não tinha contato, lembrou de fatos engraçados da sua infância (recordar é viver!!) e ganhou de presente uma nova casa. O endereço da casa nova é http://bistromental.wordpress.com/ e o acesso é bem simples. Reto e direto. Basta clicar em cima que "tã-dã!!": a casa está de portas abertas para cada visitante! Sejam bem-vindos e fiquem à vontade! Afinal de contas: Mi casa, tu casa! :o)
Wednesday, June 2, 2010
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